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Ed Sheeran em Porto Alegre no Findi

Neste domingo, Ed Sheeran trará a Arena do Grêmio a sua tradicional apresentação de “banda de um homem só”. Não há grupo de apoio: será somente o cantor no palco com seu violão, às vezes guitarra ou teclado e, principalmente, Chewie II Monsta Looper – como chama sua estação de loop. Mas não é sempre que esse show solitário do britânico é compreendido.

Era 2017 e Ed Sheeran fazia sua estreia no Glastonbury, um dos maiores festivais de música do mundo. No evento realizado no vilarejo de Pilton (condado de Somerset, na Inglaterra), o cantor apresentava seus sucessos com Thinking Out Loud e Shape of You. No entanto, a performance do artista inglês começou a ser questionada nas redes sociais: “Há músicos invisíveis? Quem está tocando quando o Ed para?”, escreveu no Twitter um usuário denominado @Fanxxxxtastic. “Ed Sheeran apenas usando um monte de coisas pré-gravadas, imitando e nem fingindo tocar guitarra na metade do tempo”, disse outro espectador identificado como @dazbob666. Na web, muitas pessoas contestaram a credibilidade da apresentação do músico e o acusaram de usar playback.

Pelo Twitter, Ed Sheeran se explicou: “Nunca pensei que teria que explicar isso, mas tudo que eu faço em meu show ao vivo é ao vivo, é uma estação de loop, não é backing track (som de apoio). Por favor, pesquisem no Google”.

COMO FUNCIONA O “MONSTA”

CBS / Reprodução
Ed Sheeran e Chewie II no Grammy 2017CBS / Reprodução

Em seus shows, o músico utiliza uma pequena mesa com um sistema de pedal que fica ao alcance de seus pés denominado Chewie II Monsta Looper – aparelho que não está disponível no mercado. Desenvolvido pela equipe técnica de Sheeran, o equipamento serve como um controlador de loop – no caso, a repetição dos sons produzidos pelo cantor no palco, seja vocal ou instrumental. Também conhecido como estação de loop, esse sistema possibilita que o músico tenha quatro faixas separadas de repetição.

Por exemplo, uma faixa pode repetir um trecho gravado dos instrumentos de cordas – violão ou guitarra –, outra pode executar vocais, outra se dedica percussão (as batidas que o músico faz no violão). As repetições do Chewie podem ocorrer ao mesmo tempo ou alternadas, conforme a proposta da canção exige. Cada faixa de loop pode ter um tratamento específico de efeitos, como eco (reverb) e distorção. Tudo está sob o controle de Sheeran, que maneja o sistema por meio de seus pés.

Veja como o músico trabalha com Chewie II no vídeo abaixo:

ARTISTA CORAJOSO

Quem introduziu Ed Sheeran ao uso do pedal de loop foi o cantor irlandês Gary Dunne. Ele concedeu uma entrevista à BBC na época que seu pupilo foi questionado na web após a apresentação em Glastonbury.

– Anteriormente, era comum ter que explicar, mas pensei que esses dias haviam passado. Com o Ed e a KT Tunstall e até o Thom Yorke fazendo uso disso, pensei que fosse entendido como uma habilidade, mas claramente ainda não é – disse à publicação.

Sheeran conheceu Dunne quando tinha 14 anos, após assistir a um show do veterano irlandês. A técnica do looping impressionou o jovem ruivo. Alguns dias depois, Dunne recebeu um e-mail de John, pai de Sheeran, o convidando para tocar no aniversário de 15 anos do filho. O músico aceitou o convite e tocou para o aniversariante e seus amigos adolescentes. Após  a apresentação, Sheeran e Dunne ficaram conversando por um bom tempo sobre a técnica de looping e se tornaram amigos.

Para o músico irlandês, seu pupilo é um artista muito corajoso:

– Acho interessante que as pessoas assistam ao show e critiquem a arte sem compreender a complexidade e vulnerabilidade do que ele está fazendo. Se ele apertar um botão meio segundo fora da hora, toda a música pode ficar sem sincronia. Então, ele está lá, sozinho, e está criando uma onda no momento com a música e sempre que ele coloca o pé no chão, ou ele está gravando, ou criando as camadas, ou revertendo ou ajustando uma música. É como assistir um pintor pintando ao vivo uma imagem enquanto faz algo diferente ao mesmo tempo, em transmissão global. A pressão é insana!

ARTISTAS DE UM LOOP SÓ

KT TUNSTALL

Conhecida pelo hit Suddenly I See, a cantora escocesa de pop rock costuma realizar apresentações munida apenas de guitarra ou violão, além do pedal chamado “The Wee Bastard”.

TUNE-YARDS

O projeto lo-fi da americana Merrill Garbus começou solo e suas apresentações costumavam ser amparadas por loopings. Mesmo com a adição de mais membros posteriormente, o recurso continuou sendo utilizado.

TIAGO IORC

Atualmente sumido, em um período de férias sabática, o cantor brasileiro de pop rock utiliza o pedal de loop em suas apresentações solitárias, como pode ser conferido no Planeta Atlântida 2017.

JACOB COLLIER

Uma das maiores revelações do jazz dos últimos anos, o multi-instrumentista britânico Jacob Collier produz loops sonoros criados na hora em suas performances.

MAIS NOMES

O pedal de loop ampara shows solos de nomes como Keller Williams, Kimbra, Beardyman, Tash Sultana, entre outros.

(via: ZH)

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